Como construir um cladograma

   
   A diversidade dos seres vivos é resultante de processos evolutivos e para a formação de novas espécies é importante a ocorrência de separação de populações iniciais em duas ou mais, de maneira que cada população resultante tenha sua própria história evolutiva.
   Assim, entende-se que a evolução dos seres vivos ocorra basicamente por cladogênese e por anagênese.
   Nos cladogramas, a base de onde partem os ramos é chamada raiz, e os pontos de onde partem os ramos são chamados de nós. Estes representam ancestrais comuns hipotéticos para todos os grupos que estão acima do nó. Os grupos que descendem evolutivamente desse ancestral são colocados no ápice dos ramos, compondo os terminais.
   Os nós simbolizam pontos de provável ocorrência de eventos cladogenéticos, ou seja, momentos em que a população ancestral foi separada em duas ou mais e passaram a apresentar características próprias surgidas por anagênese.
   No cladograma a seguir, são mostrados vários eventos cladogenéticos ao longo do tempo relativo. A anagênese está representada na linha do tempo.



   A escolha dos caracteres usados nas comparações tem de ser bastante criteriosa. Só podem ser comparados caracteres ou estruturas que sejam homólogos. Não devem ser comparadas estruturas análogas.
   A condição presente no ancestral é chamada primitiva, e a novidade evolutiva é chamada condição derivada.
   No cladograma anterior, cada um dos terminais poderia representar uma espécie, como podem representar gêneros, famílias ou outros níveis hierárquicos.
    Observe a tabela ou matriz de dados a seguir que apresenta as informações dos grupos hipotéticos a serem analisados utilizando-se as cinco características listadas:


   Simplificadamente, vamos considerar apenas um grupo externo, que identificaremos como X, e cinco caracteres em que a condição primitiva de cada um já tenha sido determinada. Identificaremos a condição primitiva com um retângulo sem cor e cada condição derivada com uma cor.  
   Agora, essa matriz deve ser transformada em um cladograma, em que apenas a condição derivada é usada para definir os agrupamentos.
   Cada passo no cladograma é determinado pela condição derivada e deve-se construir o cladograma com o menor número possível de passos (princípio da parcimônia).
   O caráter 1 aparece na condição derivada nos grupos A, B, C, D. Isso indica que essa condição deve ter surgido antes das demais, marcando o primeiro passo do cladograma. que separa o grupo X do grupo (A+B+C+D).
   O caráter 2 aparece na condição derivada nos grupos B, C e D. Assim, ele deve ter surgido a seguir, definindo o próximo passo no cladograma.
   Os caracteres 3 e 4 aparecem na condição derivada apenas em C e D, definindo o agrupamento C+D.
   A condição derivada do caráter 5 aparece apenas no grupo D, que o separa portanto, do grupo C.
   Essa interpretação nos permite construir o cladograma abaixo,



   Este exemplo mostra um dos modos mais usados de análise: o de comparação com um ou mais grupos externos. Mas nem sempre será assim, nem sempre haverá um grupo externo para comparação.
   Vale lembrar que as análises filogenéticas não são tão simples e geralmente envolvem grande número de caracteres, mas isto não é pertinente ao nível do ensino médio.

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