Mosaicismo

Mosaicismo na Síndrome de Down.
O mosaicismo ocorre quando um indivíduo apresenta dois materiais genéticos distintos. Geralmente, esse distúrbio acontece como uma variação no número de cromossomos nas células do organismo. O normal seria que todas as células do corpo apresentassem número de cromossomos iguais.

Essa falha genética é causada quando a mutação eleva-se precocemente no desenvolvimento. O indivíduo resultante apresentará linhagens de células distintas geneticamente, alguns com a percentagem de células terão mutação. O mosaicismo pode ter linhagem germinativa ou somática.

Mosaicismo das linhagens germinativas

Esse tipo de mosaicismo afeta apenas as células gaméticas, tanto do homem quanto da mulher (espermatozóide e óvulo respectivamente). Um indivíduo que possui esse tipo de distúrbio não será afetado pela mutação, já que esta não se encontra em outras células de seu organismo, mas poderá ser passada para os seus descendentes. Quando realizados testes genéticos usando amostras de sangue ou tecido desses indivíduos, o resultado será negativo para a mutação.

O mosaicismo de linhagem germinativa pode ser visto com relativo padrão genético, entretanto, é mais comumente observado em disfunções ligadas ao cromossomo X e autossômicas dominantes. Por essa mutação estar presente nos gametas, ela também estará presente em todas as células do indivíduo gerado das células germinativas. Caso essa seja uma mutação autossômica dominante, a criança será afetada com a disfunção e não portará o mosaico como os seus pais.

O mosaicismo do gameta tem sido relatado em diversas condições, entre elas: na osteogênese imperfeita, na distrofia muscular de Duchenne e na Síndrome de Turner.

Mosaicismo Somático

O indivíduo que possui o mosaicismo somático pode não ser acometido pela disfunção resultante dessa mutação. Os indivíduos expressarão o fenótipo de acordo com quantas e quais células seriam afetadas. Normalmente, os indivíduos com mosaicismo apresentam um fenótipo médio com poucas células mutantes e/ou em consequência da mutação estar restrita a um segmento finito do organismo.

Diversas disfunções genéticas têm demonstrado mosaicismo somático, como a Síndrome de Down e neurofibromatose. Outro exemplo clássico desse tipo de mosaicismo é o câncer. Uma célula neoplásica pode surgir de mutações somáticas em genes controladores da replicação celular ou a morte das células.

Síndrome de Williams

Pessoas com Síndrome de Williams.
A Síndrome de Williams ou de Williams-Beuren, foi descrita pelo neozelandês J. C. P. Williams, em 1961, e pelo alemão A.J. Beuren, em 1962. Trata-se de uma doença genética decorrente da deleção de determinada região do cromossomo 7, o que acarreta a perda de diversos genes que estão ali situados.

Entre as principais manifestações desta doença estão a ocorrência de problemas cardíacos (estenose das artérias pulmonares e aórtica), alterações faciais tais como lábios espessos e nariz pequeno, hipercalcemia, e alterações comportamentais, associando dificuldade de aprendizado com hiper sociabilidade.  Muitas vezes, a Síndrome de Williams é conhecida como "o oposto do autismo".

O desenvolvimento da linguagem se dá de forma adequada e mantém-se boa capacidade de comunicação. Estima-se que a síndrome de Willams ocorra em um em cada 20 mil recém-nascidos vivos e, embora se trate de uma doença genética, a quase totalidade dos casos ocorre de forma esporádica, em decorrência de defeito que se estabelece na hora da formação do gameta, seja materno, seja paterno. Desta forma, o risco de repetição da síndrome de Williams é muito baixo.

Causas e sintomas

O portador da síndrome de Williams nasce geralmente com baixo peso, tem dificuldade para se alimentar, costuma chorar muito e mostrar-se irritado. Desde o nascimento, o bebê já pode apresentar problemas cardíacos, mas os neurológicos muitas vezes são percebidos somente quando a criança é maior. O aspecto facial característico, a chamada "face de duende", fica mais perceptível com o passar do tempo, sobretudo na presença de nariz pequeno e empinado, lábios cheios, dentes pequenos e sorriso frequente.

Estas características geralmente são acompanhadas por atraso neuromotor e de crescimento, dificuldade de locomoção e equilíbrio, dificuldade de aprendizagem e déficit de atenção. São comuns também, nos primeiros anos de vida, os transtornos odontológicos, como a ausência de alguns dentes e o mau fechamento das arcadas dentárias, e as otites de repetição.

Do ponto de vista comportamental, há um perfil bastante peculiar, marcado por grande sociabilidade e entusiasmo, memória admirável para pessoas, nomes e lugares, medo de altura e hipersensibilidade a sons fortes tais como de liquidificador, motos ou britadeiras. Além disso, exibem preocupação excessiva com determinados assuntos ou objetos, preferência pela companhia de adultos, facilidade para novos idiomas, não obstante o atraso cognitivo, e um gosto exacerbado por música.

A Síndrome de Williams decorre de uma perda de um pequeno pedaço de um dos dois cromossomos 7. Como nós temos duas cópias desse cromossomo, uma herdada do pai e outra da mãe, a deleção leva à redução da quantidade de informação produzida pelos genes ali localizados. Essas informações nada mais são do que receitas para se produzir proteínas. Menos receitas significa menos proteínas. Algumas vezes, o organismo tolera bem a produção de menor quantidade de certas proteínas. Em outras, porém, é necessário se ter uma dosagem certa dessas substâncias, para que haja a formação e o desenvolvimento adequado do organismo.

Entre as proteínas que são produzidas em quantidade insuficiente na síndrome de Williams, está a elastina, que confere elasticidade a vasos sanguíneos, pulmões, intestinos e pele. A sua produção deficiente leva a estreitamento de artérias do pulmão e também da aorta, o que dificulta a passagem do sangue e leva ao aparecimento de sopros no coração.

A falta de outras proteínas vai levar a ocorrência sintomas como o cálcio alto no sangue e falta de crescimento. Finalmente, as informações produzidas por outros genes, tais como LIMK1 e RFC2, são importantes para o desenvolvimento e a formação adequada do cérebro e os problemas neurológicos estariam relacionados em sua menor expressão.

Exames e diagnósticos

O conjunto de características e sintomas pode levantar a suspeita da síndrome de Williams. Porém, para o diagnóstico definitivo torna-se necessária a realização de um teste que procura detectar essa perda no cromossomo 7. Uma simples contagem dos cromossomos, como é feita no cariótipo, não consegue detectar essa perda, uma vez que ela não pode ser vista no microscópio. Desta forma, foram desenvolvidos outros exames mais detalhados, entre os quais a hibridização fluorescente in situ (FISH), que conseguem demonstrar a perda de material genético nessa região.

Uma vez confirmado o diagnóstico, convém acrescentar que há necessidade de uma investigação cuidadosa para detectar a existência - ou não - de problemas cardíacos ou renais na criança.

Tratamento e prevenções

De forma semelhante a outras doenças genéticas, ainda não há nenhum método capaz de corrigir a perda de material genético e com isso restabelecer o perfeito funcionamento do organismo. Por isso, o tratamento busca atenuar os sintomas, tratar as condições associadas e, sobretudo, prevenir complicações. Para tanto, essa criança deve receber um acompanhamento médico regular nos primeiros anos de vida, com ênfase a monitoração da pressão arterial e da função cardíaca, por causa do estreitamento das artérias.

Uma atenção especial também deve ser dada a função renal e ao trânsito intestinal, em decorrência do excesso de cálcio na circulação encontrada em portadores dessa síndrome. Além desses cuidados, ainda incluem-se as necessidades de avaliações oftalmológicas, odontológicas, ortopédicas e auditivas periódicas. Da mesma forma, um rigoroso seguimento da curva de crescimento e do ganho de peso da criança – afinal, 29% dessa população apresenta obesidade na vida adulta.

O tratamento igualmente passa por programas especiais de educação, uma vez que tais iniciativas favorecem o desenvolvimento da aprendizagem e a integração do portador da doença na sociedade.

Não há como evitar os desarranjos cromossômicos que envolvem a Síndrome de Williams, uma vez que eles surgem esporadicamente na maioria dos casos e não podem ser previstos por nenhum tipo de exame diagnóstico. Recomenda-se, no entanto, um aconselhamento com geneticista para tirar dúvidas e fazer um planejamento familiar mais consciente.
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